André Mendonça ganha reforço na segurança devido ao caso Master, ministro corre risco de ser assassinado
Análise técnica identificou aumento de risco à integridade física do magistrado; proteção ostensiva acompanha o ministro até em cultos
O aparato de proteção em torno do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça sofreu um forte reajuste nos últimos meses. A cúpula do Judiciário adotou a medida protetiva depois que uma análise técnica interna identificou um aumento real de risco à integridade física do magistrado. O alerta acendeu quando ele assumiu a relatoria do caso que investiga fraudes bilionárias ligadas ao Banco Master.
De acordo com informações publicadas pela Folha de S.Paulo, o reforço também tem relação com outro inquérito de grande repercussão sob a relatoria de André Mendonça. Trata-se da investigação sobre desvios e fraudes em descontos de aposentados e pensionistas do INSS. Ambos os casos envolvem autoridades do mundo político com foro privilegiado.
Presença ostensiva e agentes à paisana reforçam segurança
A reestruturação promovida pela Secretaria de Polícia Judicial ampliou o número de policiais dedicados à rotina do ministro. A nova dinâmica adiciona o uso de equipamentos de proteção específicos e um monitoramento minucioso de ameaças. O aparato ostensivo passou a acompanhar André Mendonça em seus compromissos no tribunal, no Tribunal Superior Eleitoral — do qual é vice-presidente — e em agendas institucionais externas.
O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, bancou hospedagens de luxo para o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), em Lisboa. A Polícia Federal (PF) identificou os pagamentos depois de analisar materiais apreendidos em investigações recentes.
De acordo com informações publicadas pela Folha de S.Paulo, o caso ocorreu no fim de junho de 2024. Naquela época, a capital portuguesa sediava o Fórum Jurídico de Lisboa. O evento acadêmico possui o apelido informal de “Gilmarpalooza” devido à coordenação do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. Além do deputado, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) também teve a estadia financiada por Vorcaro no mesmo local.
PF intercepta mensagens de Vorcaro sobre reservas e segurança
As conversas obtidas pelos investigadores mostram que Vorcaro organizou os detalhes da viagem em 18 de junho de 2024. O empresário orientou um auxiliar a reservar quartos no hotel Four Seasons. O documento da PF diz que os cômodos atenderiam ao empresário e aos políticos.
Os relatórios revelam que o ex-banqueiro demonstrou forte preocupação com a discrição das autoridades. Em áudio interceptado, Vorcaro exigiu o fechamento exclusivo de espaços para evitar olhares externos.
“Preciso muito que você dê uma atenção na questão de segurança”, ordenou o Vorcaro ao funcionário. “Pode ser o papa, mas não pode entrar ninguém que não esteja na lista.”
O monitoramento dessas viagens integra os desdobramentos da Operação Compliance Zero. A PF apura um amplo esquema de vantagens indevidas e pagamentos operados por familiares de Vorcaro para prezar por interesses do banco no Congresso.
Os investigadores também analisam repasses mensais que Felipe Vorcaro, primo do ex-banqueiro, fazia a Ciro Nogueira. Os valores começaram em R$ 300 mil e depois subiram para R$ 500 mil. Felipe permanece preso preventivamente por determinação da Justiça. À época da operação, o senador negou qualquer irregularidade.

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