Anvisa proíbe a venda de suplemento famoso; entenda o motivo

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ordenou nesta quarta-feira, 17 de junho, a apreensão do suplemento alimentar em cápsulas da marca Glamorous Fire. A decisão vai além do simples recolhimento: a agência proibiu também a fabricação, venda, distribuição, divulgação e o consumo do produto em todo o território nacional.

Mas o que levou a Anvisa a tomar uma medida tão abrangente contra um suplemento amplamente divulgado na internet? Os motivos revelam falhas graves que colocam em risco a saúde de quem consome o produto sem saber da sua origem ou de seus reais efeitos.

Fabricante desconhecida e promessas ilegais

Segundo comunicado oficial da Anvisa, o Glamorous Fire é comercializado exclusivamente pela internet e fabricado por uma empresa não identificada — o que impossibilita que a agência realize qualquer avaliação sobre a segurança, a composição ou a eficácia do suplemento.

Sem registro de fabricante reconhecido, o produto não passou por nenhum processo de controle sanitário oficial. Isso significa que o consumidor não tem como saber o que está ingerindo, em quais condições o produto foi fabricado ou se os ingredientes declarados no rótulo correspondem ao que está dentro da cápsula.

O segundo motivo é igualmente grave: o suplemento era comercializado com promessas de efeitos terapêuticos, como "controle do açúcar no sangue", "redução do estresse" e "alívio da ansiedade". Esse tipo de alegação é expressamente proibido pela legislação sanitária brasileira para produtos classificados como suplementos alimentares.

Suplementos não são medicamentos. Eles não podem, por lei, prometer tratamento, prevenção ou controle de doenças. Quando um produto faz esse tipo de afirmação, está induzindo o consumidor ao erro e pode levá-lo a substituir um tratamento médico adequado por uma substância sem comprovação científica — o que representa risco à saúde.

No site oficial da Glamorous Fire, o suplemento com 30 cápsulas era vendido a partir de R$ 76,50.

Anvisa proibiu outros suplementos esta semana

Na terça-feira, 16 de junho, a Anvisa também determinou a apreensão de toda a linha de produtos da marca Top New. A medida segue o mesmo padrão: proibição total de comercialização, distribuição, propaganda e uso dos itens.

O comunicado da agência explica que os suplementos da Top New eram divulgados e comercializados pela internet com alegações terapêuticas como "controla diabetes e colesterol" ou "alivia sintomas de gastrite" — afirmações proibidas para essa categoria de produto e sem respaldo científico comprovado.

Assim como no caso do Glamorous Fire, os produtos da Top New não passaram pelo processo de registro e avaliação obrigatório para produtos que fazem esse tipo de reivindicação de saúde. A combinação entre fabricação irregular e marketing enganoso é exatamente o cenário que a Anvisa monitora e combate com ações de fiscalização em plataformas digitais.

O que é a Anvisa e por que ela pode agir assim

A Anvisa é uma autarquia federal sob regime especial, com atuação em todo o território nacional. Sua missão é controlar sanitariamente a produção e o consumo de produtos e serviços sujeitos à vigilância sanitária — incluindo alimentos, medicamentos, cosméticos, suplementos e dispositivos médicos.

Isso inclui o monitoramento de portos, aeroportos, fronteiras e recintos alfandegados, além de ambientes, processos e insumos relacionados à saúde da população brasileira.

A agência tem poder legal para determinar apreensões, suspender registros, proibir a circulação de produtos e acionar o Ministério Público quando identifica riscos à saúde pública. As ações desta semana fazem parte de um trabalho contínuo de fiscalização do comércio eletrônico de suplementos — um mercado que cresceu exponencialmente nos últimos anos no Brasil e que, por sua informalidade, concentra grande parte dos produtos irregulares identificados pela vigilância sanitária.

Consumidores que adquiriram qualquer um dos produtos citados devem interromper imediatamente o uso e podem registrar denúncias diretamente no canal de atendimento da Anvisa pelo portal Gov.br.

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