Homem é preso por amputar pé para ter seguro de R$ 1,5 milhão

 

Homem amputou o próprio pé por seguro Foto: Reprodução

Um funcionário público do estado da Bahia foi condenado pela Justiça após ser flagrado em um esquema de fraude contra seguradoras.

O caso envolveu a simulação de um assalto seguida da amputação do próprio pé, em uma tentativa de embolsar cerca de R$ 1,5 milhão em indenizações.

Após análise do recurso apresentado pela defesa, o Tribunal de Justiça da Bahia decidiu manter a sentença original, validando todas as provas reunidas durante a investigação.

Esse tipo de fraude, conhecido popularmente como "golpe do seguro", costuma envolver planejamento detalhado e, em muitos casos, a participação de terceiros com conhecimento técnico para tornar a simulação mais convincente diante das seguradoras.

Condenado começou a cumprir pena em maio

A pena fixada para o caso foi de dois anos de prisão, regime que passou a ser cumprido a partir de maio deste ano.

As informações sobre o desenrolar do processo foram divulgadas originalmente pelo Metrópoles.

Apólices contratadas meses antes do "assalto"

De acordo com os autos do processo, o autor da fraude é Vanderley dos Santos, servidor do município de Amélia Rodrigues.

Entre junho e julho de 2019, ele firmou quatro apólices distintas de seguro de vida e acidentes pessoais.

Poucas semanas após as contratações, Vanderley registrou um boletim de ocorrência relatando ter sido vítima de um assalto em uma estrada rural de São Gonçalo dos Campos.

Segundo o relato apresentado às autoridades, os criminosos teriam sido responsáveis por amputar seu pé direito durante a abordagem.

Seguradoras identificaram padrão suspeito nas contratações

A versão contada pelo servidor começou a ser colocada em xeque depois que as seguradoras notaram um padrão incomum.

Chamou atenção o fato de ele ter contratado várias apólices com coberturas elevadas em curto espaço de tempo, seguidas de um pedido de indenização praticamente imediato.

Esse tipo de comportamento costuma acionar alertas internos das companhias de seguro, que mantêm sistemas de monitoramento justamente para identificar contratações atípicas seguidas de sinistros rápidos — um padrão recorrente em fraudes investigadas no setor.

Perícia aponta planejamento e participação de terceiros

As apurações conduzidas pela Polícia Civil, somadas a laudos periciais, concluíram que a automutilação foi premeditada justamente para viabilizar o recebimento das indenizações.

Especialistas que analisaram o ferimento constataram que ele não era compatível com a versão de assalto apresentada por Vanderley.

Os laudos ainda apontaram indícios de que alguém com conhecimento técnico teria participado do procedimento, o que reforça a hipótese de uma ação coordenada e não de um ato isolado.

Decisão se baseou em provas documentais e testemunhais

Para chegar à condenação, a Justiça baseou-se em um conjunto robusto de evidências.

Foram analisados documentos, exames médicos, relatórios das seguradoras e depoimentos colhidos durante a investigação.

Com base nesse material, os magistrados concluíram que o servidor agiu de forma premeditada, buscando obter vantagem financeira indevida por meio de fraude contra as empresas de seguro.

A decisão foi posteriormente confirmada pelo Tribunal de Justiça da Bahia, encerrando a disputa judicial sobre o caso.

Casos como esse reforçam a importância da perícia médica e da investigação criminal na identificação de fraudes contra o sistema de seguros, que geram prejuízos bilionários ao setor todos os anos e impactam diretamente o valor cobrado pelas apólices de consumidores honestos em todo o país.

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